A inclusão na educação não está relacionada exclusivamente com a inclusão de pessoas em situação de deficiência, mas também de toda pessoa alvo dos chamados estigmas sociais, ou seja, pessoas que são marginalizadas pela sociedade por determinadas características desvalorizadas por aquele segmento social tal qual em nossa sociedade os negros, pobres, migrantes, dentre outros.
Segundo Enicéia Mendes:
“A escola foi planejada - e, infelizmente, continua mantendo para um padrão ideal aluno e difunde essa cultura já há tanto tempo que nos acostumamos a pensar com naturalidade que excluir a diferença é a coisa certa a ser feita e que, na escola, não há lugar para a diversidade”. (MENDES, et al, 2009, p.18).
A escola é um lugar de encontro e debate sobre as diversas culturas, porém durante um longo período se omitiu quanto à transmissão de conhecimento relativos a questões da cultura negra e da mesma forma se silenciou em relação aos povos indígenas, a noção de diversas nações indígenas nunca foi explorada e o índio se tornou um verdadeiro estereótipo fruto da abordagem de festas como dia do índio, onde as crianças pintam a face, usam tangas e brincam imitando a imagem do índio que lhes foi apresentada. Freqüentemente nos defrontamos com situações de exclusão ou racismo e adotamos a posição de não intervenção, muito provavelmente pela comodidade ou pelo medo de lidar com a diversidade. A escola através de funcionários e professores tem o dever de assegurar o direito de inserção do aluno e para tanto deve contar com a figura do professor, um professor que lute contra o “sarcasmo sombrio na sala de aula”, um professor que busque agregar novos conhecimentos para incluir todos os alunos, que o combata os preconceitos e o etnocentrismo. Dessa forma construiremos uma escola que propicia ao aluno o entendimento que os preconceitos não são naturais e sim algo construídos socialmente e que da mesma forma podem e devem ser combatidos.
Conforme Lúcia Barbosa:
“A escola é espaço de socialização no qual o aprender e ensinar estão situados dentro de um processo histórico, cultural, econômico, social e étnico-racial, onde há uma diversidade de alunos(as) pertencentes a diferentes classes sociais, diferentes grupos étnico-raciais, religiosos, de orientação sexual diferente do modelo consagrado como normativo; então se torna necessário que os(as) professores(as) contemplem diferentes modos de aprender e ensinar” (BARBOSA, 2008, p. 78).
Um caminho para o entendimento, para o respeito às diferenças é o diálogo democrático, ensinar desde cedo o respeito ao outro, mas não aquele respeito derivado da força e sim derivado da admiração, do pacto democrático entre os integrantes de uma classe, de uma escola. “um homem pode construir um trono de baionetas, mas não pode sentar-se nele”. A verdadeira essência humana está no diálogo, que soluciona os conflitos de forma democrática, sem violência ou comportamentos antiéticos.
A relação professor-aluno deve ser permeada pela dimensão humana, dessa forma conforme nos ensina Vera Lúcia Messias Fialho Capellini:
“A relação professor-aluno está diretamente vinculada às interações que ocorrem na sala de aula, aos conhecimentos historicamente acumulados que compartilham, como também nas diversas ações de professores e alunos no trato, em conjunto, desses conhecimentos e de muito outros de ordem procedimental e atitudinal que estão presentes no dia-a-dia escolar”. (Capellini, 2009, p.112)
Na escola eclodem manifestações de discriminação, seja ela social, racial, religioso ou derivado da orientação sexual dos alunos e essas manifestações não podem ser toleradas pelos seus agentes em especial pelos professores, que devem inicialmente auferir seus próprios preconceitos para posteriormente tomar medidas positivas no sentido de coibir tais práticas.
Em suma, estamos diante de uma sociedade democrática que está vivendo o dilema da articulação entre a política universal e política com foco em um determinado grupo ou segmento social, que se depara com a necessidade de articular a diversidade cultural e que busca por meio da escola e da educação superar as iniqüidades sociais racialmente estruturadas.
Referências:
BARBOSA, Lúcia MARIA DE ASSUNÇÃO. EDUCAÇÃO E DIVERSIDADE: RELAÇÕES ÉTNICO-RACIAIS. UAB – UFSCAR, 2008.
CAPELLINI, VERA LÚCIA MESSIAS FIALHO. CONVIVÊNCIA NA DIVERSIDADE, UNESP, 2009.
MENDES, ENICÉIA GONÇAVES, et all. A ESCOLA E A INCLUSÃO SOCIAL NA
PERSPECTIVA DA EDUCAÇÃO ESPECIAL. UAB – UFSCar, 2009.
0 comentários:
Postar um comentário